Publicado por: alcinojr | 20 Fevereiro, 2008

Brasileiros desenvolvem bengala eletrônica

Bengala 

:: Convergência Digital :: 19/02/2008 O que os olhos não vêem pode acabar sendo uma ameaça ao corpo. Um dos problemas que os deficientes visuais enfrentam ao se locomover são os choques constantes com obstáculos localizados acima da altura da cintura, como orelhões e caixas de correio, por exemplo. Quando as bengalas tradicionais tocam suas bases, freqüentemente já houve a colisão com a parte superior desse tipo de mobiliário urbano. Buracos, poças d’água e objetos que se movem também costumam escapar do alcance das bengalas tradicionais.

Pensando nisso, em 2003, Alejandro Garcia, professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), de Santa Catarina, começou a desenvolver uma bengala eletrônica, com sensores semelhantes a um sonar, que avisam por meio de vibrações no próprio cabo sobre a presença e localização de obstáculos.

Para respaldar a iniciativa, o professor entrou em contato com a ACIC – Associação Catarinense para Integração do Cego. Lá foram realizados os testes dos protótipos, com a participação de alunos da instituição.

Marcilene Alberton Ghisi, coordenadora pedagógica da ACIC e portadora de deficiência visual,ressalta que dois pontos importantes foram passados como orientação para o desenvolvimento da bengala eletrônica: custo e aparência.

“Hoje a opção para melhorar a mobilidade é o cão-guia, que é caro de manter e ainda sofre resistências, já que nem todo lugar aceita cachorro. Outra questão é que, no caso de acessórios, eles devem ser discretos, pois o deficiente visual já costuma chamar a atenção”, conta a coordenadora da ACIC.

Na primeira versão do projeto, a parte eletrônica ficava separada em uma caixa colocada na cintura do usuário e um fio a conectava à bengala para produzir a vibração. Justamente para tornar o modelo mais amigável, no segundo protótipo, a eletrônica é embarcada na pega da bengala, constituindo o diferencial ergonômico e funcional.

O projeto recebeu cerca de R$ 30 mil da FINEP, por meio de um edital que selecionou 25 projetos de tecnologias voltadas para a inclusão de portadores de deficiências diversas. “Estávamos com um projeto no papel para realizar uma mudança radical de estética e funcionalidade da bengala, mas o processo de criação não era barato. A FINEP deu o apoio que precisávamos”,salienta o professor da Universidade do Vale do Itajaí.

O projeto integra diversas áreas do conhecimento, como hardware e design, baseados na tecnologia conhecida como “haptics” ou realimentação tátil com auxílio de sensores e reuniu uma equipe de oito pesquisadores. A bengala eletrônica já tem protótipo pronto para ser apresentado a empresas. Há um similar importado que custa cerca de US$ 1.400. A previsão é que a nacional fique em torno de R$ 500.


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